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Educadores

Anísio Teixeira
 

“Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.”



Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. Como teórico da educação, Anísio não se preocupava em defender apenas suas idéias. Muitas delas eram inspiradas na filosofia de John Dewey, de quem foi aluno ao fazer um curso de pós-graduação nos Estados Unidos. Por este motivo foi um dos difusores das idéias de Dewey no Brasil.


“Só existirá democracia no Brasil, no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a escola pública.”

(Manifesto dos Pioneiros, 1932)

Anísio Teixeira, ao lado de Paulo Freire, foi um dos grandes educadores nascidos no Brasil. Do nascimento à misteriosa morte, acontecida no poço de um elevador na Av. Rui Barbosa Rio de Janeiro (RJ) onde morava, dedicou sua vida ao Brasil e à Educação. Vindo do nordeste, de uma cidade pequena no interior da Bahia, mostrou ao mundo que a Educação era o maior bem de um povo e que por ela devemos lutar seja no modo de educar ou pelos empreendimentos para que esse modo seja aplicado com sucesso.

Filho de fazendeiro, Anísio Spínola Teixeira, nasceu em 12 de julho 1900, em Caetité, uma cidade rica em minério de Urânio no sudeste da Bahia. Começou os estudos lá mesmo, no colégio de jesuítas e mais tarde se transferiu para o Rio de Janeiro onde cursou a faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Estudou também na Universidade de Columbia (EUA) onde conviveu com o pedagogo John Dewey e conheceu as teses do pragmatismo norte-americano - corrente de idéias que prega que a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático.

Nomeado, em 1931, secretário do Rio de Janeiro, criou um tipo de ensino chamado rede municipal de ensino completa que ia da escola primária à universidade. É de 1932, com o Manifesto do Pioneiros da Educação Nova, assinado por ele e vários intelectuais, a urgência em mostrar que na lista dos problemas nacionais, nenhum era maior em importância e gravidade ao da educação. 1935 foi importante para educação, pois com sua participação foram criadas a Universidade de Brasília e a Universidade de São Paulo, modelos de tipo de ensino superior do Brasil, instintos com a instalação do Estado Novo que teve início em 1937.

Passou nove anos como empresário, - alguns de seus opositores gostam de lembrá-lo assim -, porque foi perseguido durante o governo de Getúlio Vargas, o que o fez voltar a morar durante esse tempo em sua cidade natal, afastando-o da educação. Passada a época de crise, em 1946, assumiu o cargo de conselheiro da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), onde permaneceu até 1947 com o fim do Estado Novo, quando pode voltar ao Brasil para novamente assumir um cargo na Secretaria de Educação e Saúde de Caetité.

Foi um dos responsáveis pela fundação da Universidade de Brasília (UnB), chegando, em 1961, a ser o reitor da Instituição. Sempre gostou dos métodos de Dracy Ribeiro a quem chamava de seu sucessor, e deixou nas suas mãos o projeto da UnB para voltar aos Estados Unidos e lecionar nas Universidades de Columbia e da Califórnia. Foi também Secretário-geral da Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (Capes) e diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), onde ficou até 1964. Dois anos mais tarde, voltou ao Brasil em definitivo e se tornou consultor da Fundação Getúlio Vargas até sua misteriosa morte.

Anísio Teixeira aderiu rapidamente às ideias de democracia e de ciência, que apontavam a educação como o canal capaz de gerar as transformações necessárias para a realidade brasileira e sua modernização. Dizia ele: "Como a escola visa a formar o homem para o modo de vida democrático, toda ela deve procurar, desde o início, mostrar que o indivíduo, em si e por si, é somente necessidades e impotências; que só existe em função dos outros e por causa dos outros; que a sua ação é sempre uma trans-ação com as coisas e pessoas e que saber é um conjunto de conceitos e operações destinados a atender àquelas necessidades, pela manipulação acertada e adequada das coisas e pela cooperação com os outros no trabalho que, hoje é sempre de grupo, cada um dependendo de todos e todos dependendo de cada um".

Ele acreditava que as modificações da sociedade brasileira precisavam modificar o homem também e esse papel deveria ser da escola que daria a esse "novo homem" uma visão democrática da vida. "Fácil demonstrar como todos os pressupostos em que a escola se baseava foram alterados pela nova ordem de coisas e pelo novo espírito de nossa civilização", costumava se referir ao novo estado das coisas que deveria estar associado às transformações materiais, mudança da escola e consequentemente do homem que dela participava.

Anísio teve como base para sua proposta de educação o escolanovismo ou Escola Nova, surgido em fins do século XIX, na Europa e no EUA. O movimento teve como base a oposição aos métodos tradicionais de ensino em prol do movimento educacional renovador. Na época, no Brasil, havia uma falha da capacidade de os intelectuais desenvolverem um programa ou um ideal próprio e John Dewey dá essa base referindo-se ao respeito às características individuais das pessoas fazendo-as, assim, ser parte integrante e participante da sociedade.

A ideia deweyana era de que o sujeito com liberdade daria maior contribuição ao coletivo e foi aplicada assim aqui no Brasil. E Anísio foi um de seus maiores seguidores. Para ele a escola deveria ser o agente da contínua transformação e reconstrução social, colaboradora da constante reflexão e revisão social frente à dinâmica e mobilidade de uma sociedade democrática: "o conceito social de educação significa que, cuide a escola de interesses vocacionais ou interesses especiais de qualquer sorte, ela não será educativa se não utilizar esses interesses como meios para a participação em todos os interesses da sociedade... Cultura ou utilitarismo serão ideais educativos quando constituírem processo para uma plena e generosa participação na vida social".

Para o educador o conhecimento das diferentes realidades escolares poderia dar início a uma sociedade mais justa e igualitária. E diante disso a figura do professor contribuiria de forma definitiva, pois formava o homem e permitiria sua relação com o mundo. Anísio foi responsável, em 1961, por uma grande inovação quando formou a "Escola Parque", em Salvador - escola-modelo onde as crianças, durante o dia todo, estudavam e aprendiam ofícios, faziam dança, desenho, pintura, escultura, teatro, cinema, esporte, música etc. Ele iniciou nesta escola o método de alfabetização de Iracema Meireles que ensina as crianças a ler por meio de suas próprias atividades lúdicas e criadoras.

Sem os homens públicos que façam a máquina andar não há como expandir os pensamentos modernos aos seus alvos (aqui de educador a educando). A diferença entre Anísio Teixeira e Paulo Freire é que o primeiro era progressista enquanto o segundo liberal, mas ambos lutaram para melhoria da educação. Anísio era um cientificista - pertencente à concepção filosófica de matriz positivista que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana da realidade (religião, filosofia metafísica etc.), por ser a única capaz de apresentar benefícios práticos e alcançar autêntico rigor cognitivo.

Apesar de ser um profissional público que ajudava a gerar a máquina para mover a educação achava que jamais administração escolar poderia ser equiparada à administração de empresa. Em educação o alvo supremo é o educando, a que tudo mais está subordinado; na empresa, o alvo supremo é o produto material, a que tudo mais está subordinado.

Reforma do ensino de 1968 foi baseada na experiência da Universidade de Brasília (UnB), que apesar de uma invasão militar na época da ditadura conseguiu servir de exemplo para que outras universidades fossem moldadas. Previu ele, com esperança: "A universidade será assim um centro de saber, destinado a aumentar o conhecimento humano, um noviciado de cultura capaz de alargar a mente e amadurecer a imaginação dos jovens para a aventura do conhecimento, uma escola de formação de profissionais e o instrumento mais amplo e mais profundo de elaboração e transmissão da cultura comum brasileira. Estas são as ambições da universidade. Profundamente nacional, mas intimamente ligada, por esse amplo conceito de suas finalidades, às universidades de todo o mundo, à grande fraternidade internacional do conhecimento e do saber".

Por tudo isso Anísio Teixeira se transformou em bem mais do que o nome de um pavilhão da Unb e ganhou notoriedade de um lutador em defesa dos valores democráticos para a educação dos brasileiros independentemente de raça, condição financeira ou credo. Uma educação em escola pública da melhor qualidade para todos. E para a concretização desses valores foi importante que ocupasse os cargos que ocupou onde defendeu a escola pública, leiga, universal, gratuita e ótima para todas as crianças brasileiras. Anísio sonhou e no seu sonho viu uma escola eficiente para o povo brasileiro.
 




 


Celéstin Freinet

"Não é o jogo que é natural na criança, mas o trabalho".

O pedagogo francês Celéstin Freinet (1896-1966) foi um grande educador popular e um inovador que conseguiu a façanha de ser expulso do Partido Comunista e do sistema público de ensino francês, apesar dos excelentes resultados educativos de seus métodos. Com certeza, sua paixão pelo diálogo com as crianças e a aversão a qualquer forma de autoritarismo e de "didatismo" não angariaram muita simpatia para esse comunista convicto junto aos burocratas.

Por volta de 1925, Freinet encontrava-se incapacitado de passar o dia dando aulas expositivas para os filhos de camponeses, seus alunos, nas aldeias do sul da França, por causa de um ferimento no pulmão durante a Primeira Guerra Mundial. Conhecedor das idéias da Escola Nova (na época, chamada de "Escola Ativa"), ele buscava caminhos para adaptá-las ao trabalho com crianças humildes.

A solução veio quando Freinet comprou uma velha imprensa, dessas de fazer jornais, e colocou-a no coração de sua sala. As crianças começaram a montar textos em que descreviam seus passeios pela aldeia, seus sonhos, seu mundo. Eles eram compostos e impressos até pelas crianças ainda não alfabetizadas. Logo, os alunos trocavam, pelo correio tradicional, textos, desenhos e poesias com escolas da França, de outros países da Europa e até da África.

Essa técnica, que ficou conhecida como correspondência interescolar, juntamente com os contatos com a comunidade e o texto livre (desenha-se e/ou escreve-se livremente sempre que houver vontade de expressar algo), constitui um dos fundamentos do método natural, criado por Freinet e relatado em uma série de livros belíssimos.

O trabalho de Freinet despertou grande admiração, inclusive de Piaget, que considerava o educador francês um pedagogo genial. Também teve muitos críticos, que o censuravam por promover a anarquia e a falta de rigor. As acusações parecem injustas, especialmente quando constatamos o alto grau de desenvolvimento da autonomia e do espírito crítico em alunos que freqüentam boas escolas Freinet.

O trabalho iniciado pelo pedagogo francês multiplicou-se e, até hoje, encontramos um grande número de escolas que adota a sua pedagogia. O trabalho de Freinet também pode inspirar escolas de linha mais tradicional que buscam renovar e enriquecer suas práticas.

A pedagogia Freinet é centralizada na criança e baseada sobre alguns princípios:

senso de responsbilidade
senso cooperativo
sociabilidade
julgamento pessoal
autonomia
expressão
criatividade
comunicação
reflexão individual e coletiva
afetividade
Invariantes Pedagógicas:

1. A criança é da mesma natureza que o adulto.
2. Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros.
3. O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado fisiológico, orgânico e constitucional.
4. A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias.
5. A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto siginifica obedecer passivamente uma ordem externa.
6. Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular, ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante.
7. Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa escolha não seja a mais vantajosa.
8. Nnguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa.
9. É fundamental a motivação para o trabalho.
10. É preciso abolir a escolástica.
10- a. Todos querem ser bem-sucedidos. O fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo.
10- b. Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho.
11. Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos essenciais da escola - as únicas vias normais de aquisição de conhecimento, mas a experência tateante,que é uma conduta natural e universal.
12. A memória, tão preconizada pela escola, não é válida, nem preciosa, a não ser quando está integrada no tateamento experimental,onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida.
13. As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como às vezes se crê, mas sim pela experîencia. Estudar primeiro regras e leis é colocar o carro na frente dos bois.
14. A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um circuito fechado, independente dos demais elementos vitais do indivíduo, como ensina a escolástica.
15. A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua fora da realidade fica fixada na memória por meio de palavras e idéias.
16. A criança não gosta de receber lições autoritárias.
17. A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende aos rumos de sua vida.
18. A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções. Isso carcteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida publicamente.
19. As notas e classificações constituem sempre um erro.
20. Fale o menos possível.
21. A criança não gosta de sujeitar-se a um trabalho em rebanho. Ela prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa.
22. A ordem e a disciplina são necessárias na aula.
23. Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não passam de paliativo.
24. A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam, incluindo o educador.
25. A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico.
26. A concepção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao anonimato, o que é sempre um erro e cria barreiras.
27. A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola. Um regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas.
28. Uma das primeiras condições da renovação da escola é o respeito à criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade.
29. A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica, é uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evitá-la ou modificá-la.
30. É preciso ter esperança otimista na vida. (Sampaio, 1989: 81-99)

Técnicas Freinet

Aula passeio
Texto livre
Imprensa escolar
Correção
Livro da vida
Fichário de consulta
Plano de Trabalho
Correspondência interescolar
Auto-avaliação
Aula Passeio
Por acreditar que o interesse da criança não estava na escola e sim fora dela, Freinet idealizou esta atividade com o objetivo de trazer motivação, ação e vida para a escola.

Texto Livre
É a base da livre expressão, pode ser um desenho, um poema ou pintura. A criança determina a forma, o tema e o tempo para sua realização. Porém se a criança desejar que seu texto seja divulgado deverá passar pela correção coletiva.

Imprensa Escolar
Seu ponto de partida são as entrevistas, pesquisas, vivências e aulas-passeio. Freinet usava o tipógrafo. Todo processo de construção e impressão é coletivo.

Correção
Para o texto ser divulgado é necessário que esteja perfeito e a correção é fundamental. Ela pode ser feita coletivamente, ou em auto-correção. Freinet acredita que o "erro" deva ser trabalhado com a criança para que ela perceba e faça o acerto.

Livro da Vida
Funciona como um diário da classe, registrando a livre expressão (texto, desenho e pintura). Esta atividade permite que as crianças exponham seus diferentes modos de ver a aula e a vida.

Fichário de Consulta
Põe a disposição da criança exercícios destinados à aquisição dos mecanismos do cálculo, ortografia, gramática, história, ciências etc. São construídas em sala de aula pelos professores na interação com a turma. Freinet criticava duramente os livros didáticos fora da realidade da criança.

Plano de Trabalho
Tendo o currículo escolar como ponto de partida, os grupos de alunos se organizavam para escolher as estratégias de desenvolvimento das atividades que podiam ser realizadas em grupos, duplas, ou individualmente. Para registro do plano são elaboradas fichas onde são anotadas as realizações da semana.

Correspondência Interescolar
É uma atividade em que a criança faz a aprendizagem da vida coooperativa, uma classe se corresponde com a outra. Depois dos professores terem se comunicado e organizado a forma. Podem enviar: cartas, textos, fitas, vídeos, desenhos e e-mail.

Auto-Avaliação
A criança registra o resultado do seu trabalho em fichas de auto-avaliação que permitem constantes comparações entre os trabalhos realizados. Segundo Freinet o aluno e o professor devem se avaliar regularmente.

 


Emilia Ferreiro

"Ler não é decifrar, escrever não é copiar"

Emilia Ferreiro, a psicolinguista argentina, discípula de Jean Piaget, revolucionou o conhecimento que se tinha sobre a aquisição da leitura e da escrita quando lançou, com Ana Teberosky, o livro Psicogênese da Língua Escrita, em que descreve os estágios pelos quais as crianças passam até compreender o ler e o escrever. Crítica ferrenha da cartilha, ela defende que os alunos, ainda analfabetos, devem ter contato com diversos tipos de texto. Passadas mais de duas décadas, o tema permanece no centro dos interesses da pesquisadora, que se indigna com quem defende o método fônico de alfabetização, baseado em exercícios para treinar a correspondência entre grafemas e fonemas.

Emilia Ferreiro considera a alfabetização não um estado, mas um processo que tem início bem cedo e não termina nunca. "Nós não somos igualmente alfabetizados para qualquer situação de uso da língua escrita. Temos mais facilidade para ler determinados textos e evitamos outros. O conceito também muda de acordo com as épocas, as culturas e a chegada da tecnologia" - Afirma.

Autora de várias obras, muitas traduzidas e publicadas em português, já esteve algumas vezes no país, participando de congressos e seminários. Falar de alfabetização, sem abordar pelo menos alguns aspectos da obra de Emilia Ferreiro, é praticamente impossível. Ela não criou um método de alfabetização, como ouvimos muitas escolas erroneamente apregoarem, e sim, procurou observar como se realiza a construção da linguagem escrita na criança.

Os resultados de suas pesquisas permitem, isso sim, que conhecendo a maneira com que a criança concebe o processo de escrita, as teorias pedagógicas e metodológicas, nos apontem caminhos, a fim os erros mais freqüentes daqueles que alfabetizam possam ser evitados, desmistificando certos mitos vigentes em nossas escolas.

Aqueles que são, ou foram alfabetizadores, com certeza, já se depararam com certos professores que logo ao primeiro mês de aula estão dizendo, a respeito de alguns alunos: não tem prontidão para aprender, tem problemas familiares, é muito fraca da cabeça, não fez uma boa pré-escola, não tem maturidade para aprender e tantos outros comentários assemelhados. Outras vezes, culpam-se os próprios educadores, os métodos ou o material didático. Com seus estudos, Ferreiro desloca a questão para outro campo: " Qual a natureza da relação entre o real e sua representação? " As respostas encontradas a esse questionamento levam, pode-se dizer, a uma revolução conceitual da alfabetização.

A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal. Emilia Ferreiro percebe que de fato, as crianças reinventam a escrita, no sentido de que inicialmente precisam compreender seu processo de construção e suas normas de produção. " Ler não é decifrar, escrever não é copiar". Muito antes de iniciar o processo formal de aprendizagem da leitura/escrita, as crianças constroem hipóteses sobre este objeto de conhecimento.


 



Henry Wallon

                                                       

"Reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. É a própria negação do ensino"

Falar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças é comum hoje em dia. No início do século passado, porém, essa idéia foi uma verdadeira revolução no ensino. Uma revolução comandada por um médico, psicólogo e filósofo francês chamado Henri Wallon. Sua teoria pedagógica, que diz que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro, abalou as convicções numa época em que memória e erudição eram o máximo em termos de construção do conhecimento. Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança, mas também suas emoções, para dentro da sala de aula. Baseou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa. Militante apaixonado (tanto na política como na educação), dizia que reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. Ou seja, "a própria negação do ensino".

Diferentemente dos métodos tradicionais (que priorizam a inteligência e o desempenho em sala de aula), a proposta walloniana põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada. A abordagem é sempre a de considerar a pessoa como um todo. Elementos como afetividade, emoções, movimento e espaço físico se encontram num mesmo plano. As atividades pedagógicas e os objetos, assim, devem ser trabalhados de formas variadas. Numa sala de leitura, por exemplo, a criança pode ficar sentada, deitada ou fazendo coreografias da história contada pelo professor. Os temas e as disciplinas não se restringem a trabalhar o conteúdo, mas a ajudar a descobrir o eu no outro. Essa relação dialética ajuda a desenvolver a criança em sintonia com o meio.

Wallon considerava que entre a psicologia e a pedagogia, deveria haver uma relação de contribuição recíproca. A pedagogia oferecia campo de observação à psicologia e a psicologia ao construir conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil, oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica.

Wallon propõe o estudo integrado do desenvolvimento, ou seja, que este abarque os vários funcionais nos quais se distribui a atividade infantil ( afetividade, motricidade, inteligência ). Podemos definir o projeto teórico de Wallon como a elaboração de uma psicogênese da pessoa completa.

Segundo Wallon, para a compreensão do desenvolvimento infantil, não bastam os dados fornecidos pela psicologia genética, é preciso recorrer a dados provenientes de outros campos de conhecimento. Neurologia, psicopatologia, antropologia e a psicologia infantil, foram os campos de comparação privilegiados por Wallon.

Em suas idéias pedagógicas. Wallon propõe que a escola reflita acerca de suas dimensões sócio-políticas e aproprie-se de seu papel no movimento de transformações da sociedade. Propõe uma escola engajada, inserida na sociedade e na cultura, e, ao mesmo tempo, uma escola comprometida com o desenvolvimento dos indivíduos, numa prática que integre a dimensão social e a individual.






Autoria dos textos:
Paty Fonte
Educadora, escritora e especializada em Pedagogia de Projetos
Idealizadora e diretora do site: www.projetospedagogicosdinamicos.com

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E-mail: escritoralivrosinfantis@gmail.com

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